FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA: CONDIÇÕES FAVORÁVEIS E ESTRATÉGIAS DE MANEJO INTEGRADO

FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA: CONDIÇÕES FAVORÁVEIS E ESTRATÉGIAS DE MANEJO INTEGRADO

Data: 2 de janeiro de 2026

FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA: CONDIÇÕES FAVORÁVEIS E ESTRATÉGIAS DE MANEJO INTEGRADO

A ferrugem-asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é considerada uma das doenças de maior importância econômica para a cultura no Brasil. Sua elevada capacidade de disseminação e rápida evolução em condições ambientais favoráveis representam desafios para o manejo fitossanitário, especialmente em regiões onde a combinação entre temperaturas amenas e elevada umidade favorece o desenvolvimento do patógeno.

Segundo Godoy et al. (2025), os danos ocasionados pela doença podem variar de 10% a 90% da produtividade, dependendo das condições de ocorrência e da eficiência das medidas de controle adotadas. A infecção compromete o tecido foliar, reduz a capacidade fotossintética e acelera a senescência das folhas, resultando em desfolha precoce e prejuízos à formação e ao enchimento dos grãos.

O desenvolvimento da ferrugem-asiática depende da interação entre três fatores fundamentais: hospedeiro suscetível, presença do patógeno e ambiente favorável. Essa relação, conhecida como triângulo da doença, constitui um dos princípios básicos da epidemiologia vegetal e permite compreender as condições necessárias para o estabelecimento e a progressão de epidemias.

A disponibilidade de água livre sobre a superfície foliar é determinante para a infecção por P. pachyrhizi. Temperaturas entre 15 °C e 25 °C, associadas a períodos de molhamento foliar de pelo menos seis horas, favorecem o processo infeccioso. A ocorrência de chuvas frequentes, formação de orvalho e manutenção de elevada umidade no interior do dossel pode proporcionar condições adequadas ao desenvolvimento da doença (OLIVEIRA et al., 2025).

Além disso, o fungo apresenta comportamento policíclico, caracterizado pela capacidade de completar sucessivos ciclos de infecção durante o desenvolvimento da cultura. A produção de uredósporos, disseminados principalmente pelo vento, permite a rápida dispersão do patógeno entre plantas e áreas de cultivo.

Os sintomas iniciais são caracterizados por pequenas lesões foliares, geralmente observadas nas folhas inferiores da planta. Na face abaxial das folhas, desenvolvem-se urédias, estruturas responsáveis pela produção e liberação dos esporos. Com a evolução da doença, ocorre aumento da severidade, redução da área fotossinteticamente ativa e antecipação da desfolha.

Nesse contexto, o monitoramento fitossanitário e a identificação precoce dos sintomas são fundamentais para a tomada de decisão, considerando que a velocidade de desenvolvimento da doença pode comprometer a eficiência de intervenções realizadas tardiamente.

O manejo integrado da ferrugem-asiática envolve práticas como o cumprimento do vazio sanitário, a utilização de cultivares com características de resistência, a adequação da época de semeadura e o emprego de fungicidas com mecanismos de ação complementares.

O controle químico permanece como uma das principais estratégias de proteção da cultura. Entretanto, a redução da sensibilidade de populações de P. pachyrhizi a determinados grupos de fungicidas reforça a necessidade de diversificação dos mecanismos de ação e de utilização de programas de manejo tecnicamente fundamentados.

Nesse cenário, o controle biológico apresenta potencial como ferramenta complementar aos programas convencionais de manejo de doenças foliares.

Entre os microrganismos de interesse agrícola, bactérias do gênero Bacillus destacam-se pela capacidade de produzir metabólitos secundários com atividade antifúngica e de interagir com os mecanismos de defesa vegetal. A espécie Bacillus amyloliquefaciens, por exemplo, apresenta características associadas ao antagonismo contra fitopatógenos, incluindo a produção de compostos antimicrobianos e a possibilidade de indução de resistência nas plantas.

Os mecanismos de ação desses microrganismos podem envolver antibiose, competição por recursos e ativação de respostas fisiológicas de defesa. A produção de lipopeptídeos e outros metabólitos bioativos contribui para o potencial de utilização dessas bactérias em estratégias de controle biológico.

Em estudo conduzido por Volvere et al. (2025), a aplicação de Bacillus amyloliquefaciens no estádio vegetativo da soja foi associada à redução da severidade de doenças foliares, incluindo a ferrugem-asiática, em comparação à testemunha sem tratamento. Os resultados evidenciam o potencial dessa tecnologia, embora sua eficiência dependa de fatores como características da cepa utilizada, condições ambientais, momento de aplicação e integração com outras ferramentas fitossanitárias.

A associação entre produtos químicos e agentes biológicos deve considerar a compatibilidade entre formulações e as recomendações específicas de utilização, de modo a preservar a viabilidade e a atividade dos microrganismos empregados.

Dessa forma, a incorporação de tecnologias microbiológicas ao manejo fitossanitário representa uma oportunidade de diversificação das estratégias de proteção da soja. No entanto, sua utilização deve estar fundamentada em resultados experimentais, no correto posicionamento técnico e nas indicações de registro de cada produto.

O controle da ferrugem-asiática exige uma abordagem preventiva e integrada, na qual o conhecimento da epidemiologia do patógeno, o monitoramento da lavoura e a utilização criteriosa das ferramentas disponíveis são determinantes para a manutenção da sanidade vegetal.

A integração entre manejo químico, controle biológico e práticas agronômicas constitui uma estratégia importante para ampliar a sustentabilidade e a eficiência dos sistemas de produção de soja.

Conteúdo desenvolvido pelo Departamento Técnico da Bioagreen.


Referências bibliográficas

GODOY, C. V. et al. (2025). Eficiência de fungicidas para o controle da ferrugem-asiática da soja, Phakopsora pachyrhizi, na safra 2024/2025: resultados sumarizados dos ensaios cooperativos. Londrina: Embrapa Soja. Circular Técnica, 219.

OLIVEIRA, G. M. et al. (2025). Monitoramento de Phakopsora pachyrhizi na safra 2024/2025 para tomada de decisão do controle da ferrugem-asiática da soja. Londrina: Embrapa Soja. Circular Técnica, 222.

VOLVERE, S. et al. (2025). Efeito da aplicação de Bacillus amyloliquefaciens no estádio vegetativo sobre a severidade de doenças foliares e produtividade da soja. Revista Enfit-Sul, v. 1, n. 1.

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